
Director: Aurelio France Le Bon - Coordenação: Movimento Editora - NR 8559/RINLD/2015
Site nao optimizado para sistemas moveis
No dia 10 de Setembro de 1974 eu era um jovem de 24 anos. Acabava de ser desmobilizado dos Comandos do Exército Português. Na bem sucedida Operação Galo, assaltei a Rádio Clube de Moçambique em duas fases estrategicamente concebidas para assegurar o lançamento da senha que daria à população o primeiro sinal de que estaria em processo a retomada da emissora pela direcção da nossa base na Mafalala. Escoltado pelos Comandantes das polícias Civil e Militar, entrei no edifício da Rádio Clube de Moçambique, que havia sido tomado pelo grupo FICO e pelos Dragões da Morte, apoiados por colonos revoltosos . Quando cheguei aos microfones da Rádio, na primeira fase da operação, lancei a senha Galo, Galo, Amanheceu.
Entrei na segunda fase, já disfarçado de Oficial do Exército Português, com o suporte de duas Companhias de Paraquedistas do Exército Português, sob meu comando. Coordenei o plano de restabelecimento da normalidade na Rádio, e li pela primeira vez os Acordos de Lusaka.
Hoje tenho 65 anos de idade e já passam 41 anos desde a Operação Galo. Por isso decidi editar este livro em homenagem aos muitos Camaradas, muitos deles anónimos, que em Setembro de 1974 deram as suas vidas na batalha final pela Independência de Moçambique.
Ao longo de mais de 15 anos tomei o compromisso de escrever um livro que relatasse no melhor detalhe possível a verdadeira história da heróica luta de uma juventude que se uniu ao povo na então cidade de Lourenço Marques e arredores numa importante e decisiva batalha. Conclui que deveria recordar um por um a maior parte dos actores desta missão e registá-los para que os seus nomes fossem reconhecidos como nacionalistas e patriotas que arriscaram as suas vidas em prol de uma das mais importantes conquistas da nossa história, a Independência de Moçambique. Quarenta e um anos depois relembrei momentos importantes da minha vida e dos meus Camaradas. Depois de uma avaliação desse percurso pude rever histórias de patriotismo, nacionalismo, heroísmo e cidadania. Quando falo sobre a Mafalala... estou a falar desse bairro pobre, celeiro de personalidades que enchem de orgulho a nossa nação. Ali... nasceu a Base Galo!
NOTA DE RELEVO DA EDITORA: (Leia-se...) -Um dos sujeitos desse evento foi Aurélio Le Bon, designado "Comandante Galo" pelo Coronel Nuno de Melo Egídio depois do sucesso das Duas Operações, que retrata em livro esses momentos, como forma de os eternizar e inspirar a juventude de hoje a amar e a dar o melhor de si para o bem do país.
Aurélio Le Bon
O COMANDANTE GALO
Com 24 anos de idade em 10 de Setembro de 1974 no momento do Assalto e recuperação da Rádio Clube de Moçambique

Nota do Autor

Movimentaçoes de revoltosos
no Aeroporto de Lourenço Marques

Edificio do Radio Clube de Moçambique
ocupado por membros do FICO e DRAGOES
DA MORTE, auxiliados por Colonos revoltosos.

